5/05/2011

Patrimônio Cultural Imaterial - Assombrações de São Paulo

Assombrações do Recife Velho – livro de Gilberto Freire, adaptado para teatro por Newton Moreno.

Gilberto Freire é um sociólogo que ao estudar o povo recifense, narrou com prosa, contos sobrenaturais que fazem parte da cultura deste povo. Nota-se em seus escritos características do povo, como a desigualdade social, fatos sociais e políticos, a fidelidade lingüística de sua cultura (gírias, sotaques).
Na adaptação do texto para teatro, além da preservação das características citadas, o cuidado com a estética da narrativa também foi algo marcante que Newton Moreno manteve em sua obra.
O grupo de teatro paulista, Os Fofos Encenam, partilharam do cuidado de manter a fidelidade destes “causos”, pesquisando através de depoimentos as histórias de assombrações do povo de Recife, para recriar os diálogos sustentados na tradição oral elucidando a formação e identidade deste povo.
Para encenar, usaram de elementos importantes para manter a fidelidade, como a escolha do local (Casarão Belvedere, no Bexiga), o uso de iluminação e efeitos sonoros que deram vida ao ambiente, impressionando o público que foram assistir ao espetáculo.


Assombrações da Cidade de São Paulo
Dentre as histórias de Assombrações de São Paulo destacam-se no texto locais que fazem parte além da história da cidade, de um roteiro turístico de nossa cidade, onde além dos contos, em si, muitos deles as edificações foram tombadas pelo IPHAN.
1. No Bairro da Liberdade, por exemplo, foi o local onde o primeiro cemitério público foi instalado, no terreno da Capela dos Aflitos. Destinado ao sepultamento de pessoas de classes desfavorecidas e de condenados pela Justiça, que eram tinham por pena a forca. A história do local confunde-se com a História de “Chaguinha”, Francisco José das Chagas, que no dia de seu enforcamento, a corda rompeu duas vezes, o que foi atribuído pelo público presente como um milagre, e gritaram: “Liberdade”. Na terceira tentativa o soldado foi executado. A Capela ainda hoje recebe pessoas que fazem pedidos a Chaguinha e pagam promessas no local. Com o crescimento da cidade, o cemitério foi desativado e os sepultamentos eram feitos o Cemitério a Consolação, aberto em 1858. O local foi abandonado e loteado, o dinheiro dos terrenos vendidos foi destinado às obras da Catedral da Sé. A Capela foi mantida e está localizada na Rua Beco dos Aflitos.
2. O Vale do Anhangabaú tem este nome por que foi construído sobre um rio do mesmo nome. Anhangabaú significa rio ou água do mau espírito, os índios diziam que tinha águas mal-assombradas e quem tomasse as águas do Rio Anhangabaú ficava doente.
Esse período é retratado na obra Fundação da Cidade de São Paulo, de Oscar Pereira da Silva
3. A Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, também tem fama de mal-assombrado. Dizem que a alma do professor Julio Frank ronda o local. Julio era um professor alemão protestante, que ao morrer, por não ser católico foi recusado de ser enterrado em terreno da igreja católica (naquela época só se sepultavam em terrenos de igrejas). Em protesto, seus amigos e alunos o enterraram no pátio da escola, onde se pode visitar o seu túmulo.
4. O primeiro arranha-céus da cidade, o Edifício Martinelli era local de contrabando e lugar e muitas brigas e mortes, reforçando boatos que rodam no prédio uma menina loira estranha com o rosto escondido pelo cabelo claro e comprido. Outros dizem ter visto uma máquina de escrever funcionar e as portas baterem sem nenhum motivo.
5. Almas que “se dizem” injustiçadas nos julgamentos que ocorreram a tempos atrás no Palácio da Justiça, fazem visitas neste local dando a ele fama de mal-assombrado.
6. Todo Teatro Municipal tem sua história de assombração, como o do Fantasma da Ópera. Boatos que na época da ditadura, o local serviu como prisão de pessoas e de tortura, e por isso ouve-se gritos, e que artistas que já morreram visitam seus camarins, cantam e tocam piano são alguns relatos de pessoas que trabalham e trabalharam no principal teatro de nossa cidade.
7. Muitos casarões antigos são conhecidos pelas suas histórias. O Castelinho da Rua Apa é um destes. Localizado no número 236, esquina com a São João, hoje propriedade da União e é ocupado pela Associação de Mães do Brasil. Em 1912 ficou conhecido por um crime que comoveu a cidade. A dona da Casa, Maria Cândida Reis de 73 anos, e seus dois filhos advogados, Álvaro e Armando fora encontrados mortos no interior do imóvel, o crime até hoje ficou sem explicação. Depois do crime ninguém mais conseguiu morar ali, dizem ouvir e ver coisas no local, e outros pessoas dizem passar mal ao entrar na casa.
8.Outro exemplo é a Casa de Dona Yayá, localizado na rua major Diogo, 353. Sebastiana de Freire Mello, a Dona Yayá, rica e única herdeira de uma fortuna grandiosa, teve uma vida marcada por catástrofes, como a morte de seus pais e irmãos. Aos 18 fica sendo a única sobrevivente de uma família de sete pessoas. Teve uma boa educação, passeava com seus automóveis no centro de São Paulo, numa época em que carros era raridade, viajava sempre a passeio. Em relação a vida sentimental sabe-se que rejeitara muitos casamentos por considerar seus pretendentes interesseiros, e que nutriu um amor não correspondido pelo aviador Edu Chaves. Aos 31 anos, teve atitudes que diagnosticaram como desequilíbrio emocional, tentou o suicídio, e anos 32 anos, foi internada como louca. Declarada incapaz de gerir seus bens, teve a tutela cobiçada por parentes e amigos. Tutelada por três gerações de mulheres da família Grant, colegas de colégio, viveu por 42 anos isolada e confinada no casarão. Hoje o casarão é propriedade da USP e abriga o Centro de Preservação Cultural da universidade. Cabe nesta história uma indagação: Seria Dona Yayá realmente louca ou vitima de uma sociedade hipocrisia e ignorante?
9.Outra história, mais recente, mas não menos assustadora é o caso do Edifício Joelma. Antes de sua construção, em 1948, o antigo morador da casa que existia no local, o professor Paulo Ferreira e Camargo, matou sua mãe e suas duas irmãs e enterrou-as num poço construído para este finalidade – O Crime do Poço. Ao ser descoberto, ele se matou. No momento de resgatar os corpos, um bombeiro sofreu um tipo de infecção cadavérica e mais tarde veio a falecer. Vinte e seis anos mais tarde, no lugar é construído o Edifício Joelma, Em 1972, um dos maiores incêndios que ocorrera em nossa cidade teve como vitima 189 mortos e 345 feridos. Treze pessoas mortas no elevador não foram identificadas e foram enterradas no cemitério São Pedro e deram origem ao mistério das Treze Almas a que são atribuídos milagres. A história já serviu de filme e de documentário baseados em psicografias a Chico Xavier. Na filmagem do filme em 1979, um fotografo ao registrar uma cena morte de um personagem ao revelar o filme percebeu a imagem de pessoas que não estavam nas filmagens. O prédio ficou interditado por quatro anos. Hoje, rebatizado como Edifico Praça das Bandeiras, funcionam escritórios, mas algumas salas não são utilizadas. Com fama de mal-assombrado e amaldiçoado, pessoas garantem que o lugar é cercado por uma energia estranha e que espíritos de mortos vagam o prédio.

Atividade

Atividade Avaliativa – Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de São Paulo
Faça a correspondência da segunda coluna de acordo com a primeira:

(a) Bairro da Liberdade
(b) Vale do Anhangabaú
(c) Faculdade de Direito, largo São Francisco
(d) Edificio Martinelli (e) Palácio da Justiça
(f) Teatro Municipal
(g) Castelinho da Rua Apa
(h) Casa da Dona Iaia
(i) Castelinho da Rua Apa


( ) Tem esse nome devido a um rio que situava no lugar e significa Águas Amaldiçoadas;
( )Antes de sua construção havia uma casa onde aconteceu a morte de uma família, e hoje é conhecido por um incêndio que matou muitas vítimas.
( ) Vivia uma mulher com seus dois filhos e todos foram assassinados;
( ) lugar de enforcamento e primeiro cemitério público da cidade;
( ) Morou uma rica mulher que foi considerada louca pela sociedade
( ) lugar que foi sepultado um professor protestante.
( ) primeiro arranha-céu da cidade, que durante um tempo abrigou contrabandistas.
( ) onde julgavam pessoas a morte.
( ) Durante a ditadura militar serviu como local de prisão e tortura.

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